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Arte Déco

Este movimento estético dos anos 30 reflectia um gosto pelo luxo cosmopolita numa época de contrastes como foi a de entre as duas guerras mundiais. O jazz, Hollywood e Coco Chanel eram os novos símbolos de um certo estilo de «vida moderna».

Arte Déco foi um estilo que surgiu na década de 1920 ganhando força nos anos 30 na Europa e na América do Norte e do Sul e que abrangeu a moda, a arquitectura, as artes plásticas, o design gráfico, a tipografia e o design industrial.

O estilo deve seu nome à Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas (em francês: Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Modernes), realizada em Paris, em 1925.

Essencialmente era um estilo decorativo que combinava luxo, e ornamentação formal, e que apresentava cores discretas, traços sintéticos, formas estilizadas ou geométricas.

Muitos designers da Arte Déco rejeitaram os materiais tradicionais (ou industriais) e preferiam materiais nobres — como o ébano, o mármore, a laca e madeiras raras.

Os objectivos do Modernismo funcionalista que a Bauhaus e Le Corbusier preconizavam, ficaram arredados; a Art Déco colocava a sua ênfase no valor decorativo.

Monumentalidade

Uma característica da Art Déco é a exaltação da monumentalidade, muito de acordo com o novo-riquismo da "Golden Age" norte-americana, numa era onde o poder industrial e a expansão capitalista servia uma sociedade afluente dedicada ao lazer. Esta monumetalidade está visivel, em Lisboa, no Cinema Eden (Restauradores) e no edificio-sede do Diário de Notícias (Avenida da Liberdade).

No Porto, são exemplos a sala de espectáculos Rivoli e o Coliseu, assim como vários edificios da zona Art-Déco da Baixa do Porto.

Por alguns historiadores, a Art Déco é considerada a herdeira da Arte Nova.

Serralves Porto, foto by Paulo Heitlinger

A vivenda Serralves, arquitectura emblemática do Art Déco em Portugal. A Casa de Serralves, situada no bairro nobre do Porto, é a sede da Fundação de Serralves. Totalmente reabilitada e infra-estruturada em 2003, com duas entradas independentes e uma localização privilegiada face aos jardins,

A origem do Parque de Serralves remonta a 1923, quando Carlos Alberto Cabral, 2º Conde de Vizela, herdou a Quinta do Lordelo, propriedade de veraneio da família à Rua de Serralves (então nos arredores do Porto), e a sua história divide-se em momentos específicos: os traços do jardim de finais do século XIX da Quinta do Lordelo e a Quinta do Mata-Sete, o jardim de Jacques Gréber para a Casa de Serralves.

Jacques Gréber (1882-1962), o arquitecto de Serralves

Filho de um escultor, formou-se em arquitectura na École de Beaux-Arts de Paris em 1909, dedicando-se posteriormente à concepção de jardins e ao urbanismo. Em 1910, questionando já as técnicas de representação e os princípios de composição clássica, é convidado a desenhar os jardins do Hotel Cassini em Paris.

Um ano depois participa no nascimento da Sociedade Francesa dos Urbanistas e posteriormente filia-se na Sociedade Francesa de Arquitectos de Jardins presidida por Achille Duchêne.

Adoptando um estilo neoclássico, informado por aspectos modernistas, desenvolveu vários projectos no Canadá e, principalmente, nos Estados Unidos onde se instalou durante uma década, concebendo jardins para uma clientela rica em Rhode Island, Pensilvânia e Long Island.

Neste período afirmou-se enquanto arquitecto de jardins adaptando as suas ideias aos desejos dos clientes e beneficiando do reconhecimento da arquitectura francesa nos Estados Unidos. A composição dos seus projectos era orientada por um “espírito racional” e pela adequação das ideias e soluções do neoclassicismo francês ao contexto norte-americano.

Em 1917 dirigiu e concebeu, de forma definitiva, o plano urbanístico de Filadélfia – Benjamin Franklin Parkway, que se tornaria uma das suas mais importantes obras.

Em 1937 é nomeado arquitecto chefe da Exposition Internationale de Paris, no âmbito da qual publicou o catálogo Jardins Modernes e fez a defesa de um jardim caracterizado por um Neoclassicismo modernizado, com referências Art Déco, que privilegiava a estilização.

Rejeitando o acessório e o detalhe supérfluo, Jacques Gréber entendia a composição do jardim como uma actividade subordinada à arquitectura e sublinhava a importância da harmonia das proporções, das formas geométricas e do recurso a terraços, fontes e lagos.

Do seu percurso destaque-se ainda a autoria dos jardins do Trocadéro, em Paris, a direcção da secção americana da exposição colonial de 1931 e a realização do Parc Kellermann à Paris XIIIe, concluído em 1950.

Eclectismo, exotismo

A Art Déco é um novo eclectismo, recolhe influências tanto do classicismo como dos movimentos vanguardistas que por essa altura impressionavam, tais como o Cubismo e o Futurismo.

Os artistas Déco punham em moda a estilização geométrica abstracta , as linhas em zig-zag, usavam ritmos lineares verticais para enfatizar a monumentalidade, ritmos lineares horizontais para sugerir dinamismo (do automóvel ou da vida cosmopolita).

Combinando todas estas influências com o típico de culturas exóticas filtradas pelas revistas, o cinema e a rádio, como as reportagens da exploração colonial e arqueológica que davam a conhecer a arte pré-colombiana, a africana, a asiática e a do Antigo Egipto.

Colecção Berardo

Esta colecção compreende mais de 300 peças de mobiliário, pinturas, esculturas, cerâmicas, cristais e baixelas de prata e outros objectos decorativos dos mais famosos artistas como Lalique, Brandt, Perzel, Leleu, Porteneuve e Ruhlmann.

Este último é o autor da casa de jantar da Casa de Serralves, no Porto, um dos exemplos mais requintados da arquitectura Arte Déco em Portugal, onde, em 2006, uma parte desta colecção foi apresentada na exposição Arte Déco, Colecção Berardo.

www.berardocollection.com/?toplevelid=33&CID=106&opt=listworks⟨=pt

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A. M. Cassandre

Fontes Arte Déco

A fonte Bertrand

A fonte Cantoneiros

A fonte Deco Avila

Página actualizada em 4.2010.

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