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Victor Palla (Lisboa, 1922-2006)

Vítor Palla

Gostou de ligar todas as formas de expressão, e por isso se dedicou à Aarquitectura, à Fotografia, à Pintura, ao Design gráfico, à Edição de livros e revistas e à organização de exposições.

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Em 1949 José Cardoso Pires fez uma incursão no mundo editorial, fundando com Victor Palla a colecção de bolso Os Livros das Três Abelhas

Lígia Afonso escreveu: "...Victor Palla, protagonista de um dos mais importantes e versáteis percursos do século XX português, desapareceu, a 28 de Abril (de 2006), com 84 anos, sem que a dimensão da sua obra global tenha sido verdadeiramente entendida. A originalidade e o carácter inédito do seu percurso documenta uma sensibilidade profundamente plástica que reinventa, reinterpreta e cruza sucessivamente os diferentes media, sem determinação hierárquica, numa experimental vontade de contaminação e consequência".

Formado em 1946 pela Escola Superior de Belas Artes, partilhou atelier durante 25 anos com o arquitecto Bento de Almeida, parceria da qual nasceram os primeiros snack-bares do país, entre os quais o Galeto (classificado pelo IPPAR), o Carossel e o Piquenique (Lisboa), e o Cunha, situado no Porto.

Para além destes, Victor Palla projectou fábricas, apartamentos, escolas, como a Escola do Vale Escuro e a nº. 175 dos Olivais. Nos anos 60, projectou a Aldeia das Açoteias em Albufeira.

Notabilizou-se ainda como designer, concebendo graficamente múltiplas publicações, desde revistas a catálogos de exposições, bem como capas de livros publicados por várias editoras.

A sua prática estende-se à pintura, que apresentou regularmente em exposições colectivas desde meados da década de quarenta. A partir desta data também dinamizou diversas iniciativas culturais, co-fundando galerias no Porto e em Lisboa e contribuindo para a promoção de diversos eventos, dos quais se destacam as Exposições Gerais de Artes Plásticas, realizadas entre 1946 e 1956.

Aplicou a fotografia aos restantes domínios da sua actividade e, mais tarde, abraçou-a como mais um meio de expressão, que manteve até aos nossos dias.

Fotografia

A par de Costa Martins, fotografou Lisboa entre 1956 e 1959, reunindo um conjunto de trabalhos apresentados na Galeria do Diário de Notícias, Lisboa, e na Galeria Divulgação, Porto, sob o título «Lisboa, Cidade Triste e Alegre», posteriormente publicados em livro numa edição dos autores.

Caído no esquecimento, o resgate deste projecto deve-se à Galeria Ether que, em 1982, o relançou com nova encadernação e promoveu a exposição «Lisboa e Tejo e Tudo (1956/59)», acompanhada de catálogo.

Em 1992, o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, dedica-lhe uma exposição de carácter retrospectivo, designada «Victor Palla», acompanhada de catálogo. Em 1999 é galardoado com o Prémio Nacional de Fotografia, atribuído pelo Centro Português de Fotografia, Porto.

Com a fotografia, o seu nome foi conhecido internacionalmente, quando em 2001, o livro que publicou em conjunto com o também arquitecto e fotógrafo Manuel Costa Martins (1922-1996) foi eleito como um dos melhores livros do século XX.

Da associação com Costa Martins resultou o projecto Lisboa, Cidade Triste e Alegre (1959), com imagens tiradas pela dupla desde 1956 e mostradas em duas exposições na Galeria Diário de Notícias (Lisboa) e na Divulgação (Porto), em 1958.

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Lisboa, Cidade Triste e Alegre (1959)

O resultado “é uma surpreendente variedade inconformista de fotografias apaixonadas pelos quotidianos paralelos da cidade e da própria fotografia: desde a festa do registo até aos atrevimentos da impressão, passando pelas incertezas da revelação” (António Sena).

Para Lisboa, Cidade Triste e Alegre o duo Costa Martins -Victor Palla escolheu 200 fotografias entre cerca de 6.000, a maior parte das quais captadas na Alfama e no Bairro Alto. A acompanhar as imagens, excertos de poemas de autores portugueses.

VP recebeu em 1999 o Prémio Nacional de Fotografia, prémio este que se destinava a destinguir a carreira de um fotógrafo cuja intervenção criativa fosse considerada relevante no panorama da fotografia portuguesa, tanto pelo seu carácter inovador, como por desencadear processos renovadores.

Publicações e exposições

O Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian organizou uma retrospectiva da obra fotográfica de Vítor Palla em 1992.

Video: Victor Palla por Maria José Palla (25 min.), encomenda do Centro Nacional de Fotografia, Janeiro 2000.

Afonso, Lígia. Victor Palla in Um Tempo e um Lugar. Dos anos 40 aos anos 60. Dez exposições gerais de artes plásticas, Museu do Neo-Realismo / CM de Vila Franca de Xira, 2005.

AA.VV., Victor Palla, Lisboa, Centro de Arte Moderna / Fundação Calouste Gulbenkian, 1992.

MAH, Sérgio, Victor Palla: Procurar, Ver e Exprimir o Mundo in “Arte Ibérica”, ano 4, nº 40, Out/Nov 2000.

Marques, Lúcia, Victor Palla in “Roteiro da Colecção do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão”, Lisboa, Centro de Arte Moderna/Fundação Calouste Gulbenkian, 2004.

Marques, Lúcia. A construção fotográfica da cidade - Lisboa, cidade triste e alegre (1956/1982), revista Insi(s)tu #7 e #8, pp 106 -113, Porto, 2004.

Palla, Victor, “O lugar da Tradição” in “Arquitectura”, 2ª série, nº 28, Jan. 1949.

Palla, Victor; Martins, Costa – “Lisboa, Cidade Triste e Alegre”, Lisboa, ed. autores, [1959].

Palla, Victor; Martins, Costa – “Lisboa e Tejo e Tudo” (1956/1959), Lisboa, Ether, [1989].

Pomar, Alexandre, Victor Palla (1922-2006) in “Expresso” – Revista “Actual”, 06.05.06.

Sena, António, História da Imagem Fotográfica em Portugal (1839-1997), Porto, Porto Editora, 1998.

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