|
|
Manuel de Andrade de Figueiredo (1670 - 1735)
|
No reinado de João V, um
período de significativo avanço das «artes
gráficas» em Portugal, destacou-se Manuel de Andrade de
Figueiredo (16701735), que estabeleceu o que se poderia chamar a
«letra caligráfica portuguesa» na obra:
Nova escola para aprender a ler, escrever, e contar.
Offerecida a Augusta Magestade do senhor Dom João V. Rey de Portugal,
primeira parte por Manoel de Andrade de Figueiredo, Mestre desta Arte nas
Cidades de Lisboa. Occidental, e Oriental.
Na Nova escola há, entre os
exercícios para os alunos, dois poemas visuais assinados por Andrade. O
primeiro deles está escrito no estandarte que um cavaleiro carrega.
É uma quintilha em redondilha maior:
O exercício, e louvor das letras, que o
mundo aclama tem na nobreza o melhor berço, a que ilustra a
fama, por mais sagrado esplendor. |
|
A Nova Escola, impressa com licenças do
Santo Ofício, do Ordinário e do Paço, também
orienta a forma correta de o mestre repreender seus alunos. O castigo
não se encobre com o amor, pois o mesmo Deus aos que ama castiga. E o
castigo se é demasiado parece tirania, se proporcionado é
remédio, escreve Figueiredo.
A Nova Escola é considerada uma
revolução do ensino no século 18 pela
publicação O pensamento pedagógico em
Portugal, escrita por Rogério Fernandes (Biblioteca Breve).
Andrade de Figueiredo atribuía largo alcance
social à educação. As qualificações dos
súditos, assegurava sem hesitações, provêm da sua
aplicação enquanto meninos e do ensino dos mestres, escreve
o autor. Rogério Fernandes observa, ainda, que Manuel de Andrade de
Figueiredo recusava o método global e preconizava o método
silábico, pois, na formação das sílabas
consistiria o principal e o maior trabalho do menino.
Ao analisar a gramática, Rogério Fernandes
afirma que «o autor atribuía à impreparação
metodológica dos docentes o fato de os discípulos penarem
longamente nas escolas sem aprenderem a ler.»
No entendimento de Rogério Fernandes, Andrade de
Figueiredo tinha uma percepção muito nítida das
necessidades dos professores nas escolas elementares. Ele destaca que
a Nova Escola é, por isso mesmo, a obra pedagógica
portuguesa do século 18 que mais diligencia inserir-se na realidade
escolar, na medida em que pretende constituir um ponto de apoio para o
docente. |
 |
|
A famosa Nova Escola para Aprender a Ler, Escrever e
Contar foi impressa em 1722. |
Fontes
Em homenagem a Manuel de Andrade, o typeface designer
português Dino dos Santos
publicou a sua fonte caligráfica Pluma, que integra Pluma Primeyra,
Segunda e Terceyra.
A fonte Methodo, igualmente dotada de três variantes,
é uma reprodução dos exercícios exigidos a
estudantes, patentes no Methodo Calligraphico, de Pinto de Mesquita.
Temas relacionados
A fonte Andrade, de Dino dos Santos, publicada em 2005.
Todos os seus desenhos estão à vista em
www.dstype.com
e à venda em www.myfonts.com
Publicações
Figueiredo, Manuel de Andrade de, Nova Escola para aprender
a ler, escrever, e contar... primeira parte / por Manoel de Andrade de
Figueiredo, Mestre desta Arte nas cidades de Lisboa Occidental, e
Oriental. - Lisboa Occidental : na Officina de Bernardo da Costa de
Carvalho, impressor do Serenissimo Senhor Infante, 1722. - [18], 156 p., 44 f.
gravadas a buril : il. ; 2º (31 cm)
http://purl.pt/107
Figueiredo, Manuel de Andrade de, Nova Escola ...
Edição da Livraria Sam Carlos, Lisboa, 1973] 24x33 cm. XXIV-156-I
págs. e 47 gravuras.
Edição fac-similada do mais belo e célebre
livro português sobre o ensino da leitura e da escrita bem como da arte
da caligrafia. |