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Cálamo

Do grego kálamos: haste, cana, junco. Do latim «calamus». Em árabe, qalam. Um talo vegetal oco com o extremo afiado ou biselado para escrever com tinta.

Cálamo é um instrumento para a escrita manual, feito de um pedaço de cana ou junco, talhado obliquamente e afiado na extremidade, utilizado antigamente (e ainda hoje) para escrever em papiros e pergaminhos.

O cálamo é um troço de cana, cujo extremo é cortado por um corte transversal, para obter uma ponta apta para debitar a tinta.

O corte da ponta determina a grossura do traço e a alternância entre traços grossos e traços finos — uma característica da maioria dos estilos caligráficos.

Calamus
Cálamos de cana usados para caligrafar a escrita árabe.

O cálamo foi muito menos usado que a pena de ave. A forma das letras dependia do ducto (da orientação do movimento de escrita e da inclinação da letra).

O ducto foi sempre influenciado pela forma do corte da ponta da pena. A pena, que foi o instrumento de escrita predominante na época medieval, podia ter ponta bem afiada para uma escrita leve, fina e regular, sem grande contraste de traços grossos e finos.

A ponta podia ser biselada à direita para um traçado fino e uniforme, ou bise­lada à esquerda, para obter uma escrita mais negra (daí a designação blackletter), com maior contraste entre traços grossos e finos. O pigmento para a tinta de escrever era cinza de carvão, à qual se adicionava goma ou substâncias metálicas, para lhe dar fluidez e consistência.

A noz de galha ou bugalho de carvalho, diluída em vinho e fixada com minerais, era outro pigmento usado no fabrico de tintas na Idade Média. Não raro, a tinta ou algumas das suas componentes eram importadas.

Usava-se tinta preta para o texto, por vezes sépia; a tinta vermelha (rubra) ficava reservada para os títulos de capítulos e para partes do texto a realçar. As outras cores e o ouro eram usadas nas iluminuras e para ornamentar as margens do livro.

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