Fotografia: Vanguardistas

 

Renger-Patzsch: a foto documental

É considerado o pioneiro da Fotografia de Publicidade. Renger-Patzsch foi o fotógrafo alemão que advogou a «Nova Objectividade» e a soube aplicar a uma área ainda pouco explorada: a foto documental industrial.

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Albert Renger-Patzsch

Albert Renger-Patzsch (Würzburg, 1897 – Wamel, 1966) começou a fotografar aos 12 anos, fez o serviço militar durante a Primeira Guerra Mundial, onde recebeu formação em Química.

Posteriormente graduou-se em Fotografia na Folkwangschule de Essen.

Até 1927, tinha lançado três livros documentários – O Mundo das Plantas (Die Welt der Pflanzen), Fotografia de Flores (Photografien von Blüten) e Die Halligen – que retratava as paisagens e o povo da Frisia Ocidental.

Em 1928, publicou O Mundo é Belo (Die Welt ist Schön) que é o marco da sua carreira, onde plantas e máquinas aparecem lado a lado. Renger-Patzsch defendia que «...pistões e folhas molhadas tem status equivalentes, e ambos devem ser tratados como novos ícones de beleza…»

Em 1930, Albert Renger-Patzsch publicou Hamburg, Editora Gebrüder Enoch Verlag.

O estilo de Renger-Patzsch, objectivo e preciso, afasta-se das tendências vanguardistas da época. As suas obras são de grande exactidão e precisão, defendendo o carácter «objectivo» da Fotografia frente à experimentação realizada pelos fotógrafos da época, mais vanguardistas.

Muita da discussão académica em torno das caracterísiticas da fotografia deste alemão é superflua, se atendermos ao facto que o que mais distingue o seu trabalho é a Fotografia de Publicidade, na vertente documental (fotografia de produto, documentação de processos de produção).

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Os objectos industriais e os objectos do quotidiano, mostrados com valor equivalente às formas da Natureza, rompiam com a tradição visual do pré-guerra. Esta ruptura era necessária pois a vida em meio a “poesia da natureza” – moralmente saudável – era um conceito conservador, atrelado as elites alemãs, alvo da insatisfação da Nova Objectividade (ou Verismo).

O industrial, oposto à Natureza, representava o mundo novo. Ao colocar lado a lado prensas e plantas, usando a forma de catálogo, Renger-Patzsch procurava se enquadrar neste discurso. Alguns historiadores argumentam que a fotografia de Renger-Patzsh, no livro Die Welt Ist Schön, embora fosse um tentativa de aderir ao movimento modernista, ainda mantinha raizes no Romantismo do século 19, cujos traços ainda eram presentes na escola de Essen.

Essa discussão não é restrita aos historiadores contemporâneos, ela têm raizes nas críticas de Walter Benjamin, que o acusava de tentar vestir uma roupagem modernista ao Sublime kantiano. Há quem argumente que a principal crítica feita por Walter Benjamin recaia sobre título pegajoso do livro, O Mundo é Belo, que foi escolhido pelo editor de Renger-Patzsch.

Renger-Patzsch também fazia fotografia de paisagem próxima dos cânones «clássicos», porém é interessante considerar as fotos no “Die Welt Ist Schön”, de outra forma: nestas percebe-se uma ruptura no estilo, na proposta e na apresentação, separando este trabalho do romantismo. Nestas fotos de Renger-Patzsch é evidente este distanciamento e o cuidado com a forma, não parecendo haver discurso sobre a poesia da natureza ou sobre a força do mundo industrial.

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Exposições

http://gewerbemuseum.ch/

Links

Fagus-Werk: http://blog.zeit.de/zeitmagazin/

Bibliografia

Página actualizada em 4.2013

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