Fotografia: os pioneiros

 

Marques Abreu

Especialista da zincogravura e de outros processos de impressão de imagens fotográficas.

José Antunes Marques Abreu nasceu a 14 de Fevereiro de 1879, no concelho de Tábua. Faleceu no Porto, a 3 de Julho de 1958.

Ao fim de ano e meio foi trabalhar para a Farmácia Quaresma, na povoação de Coja. Ao fim de sete meses, partiu para Lisboa, mas logo foi para a cidade do Porto, com 15 anos. Com a sua prática de ajudante de farmácia, conseguiu emprego numa farmácia.

Chegado ao Porto, em 1893, iniciou pouco depois o trabalho como gráfico no atelier de Germano Courrége, que acompanhou em 1899 quando integraram no atelier de zincogravura da Fotografia Universal, Courrége como director artístico e Marques Abreu como jovem operador.

Ainda nesse atelier realizou as zincogravuras das revistas Sombra e Luz (1900-1902) e Theatro Portuguez (1902). Passou ainda pelas oficinas de gravura de O Primeiro de Janeiro, em 1901, onde dirigiu as respectivas oficinas de fotogravura.

Matriculou-se na Escola Industrial Faria Guimarães, e, com 19 anos, em sociedade com Cunha Moraes, montou as Oficinas Marques de Abreu zincogravura, fotogravura, símile-gravura, na Rua de S. Lázaro, n.º 336.

Iniciou a publicação da 1.ª série da Ilustração Moderna (1898-1903), fez retrato e reproduziu obras de arte. Publicou em Janeiro de 1905 a revista Arte, reproduzindo obras de Soares dos Reis, Bordalo, Teixeira Lopes, Sousa Pinto, mas também de Miguel Ângelo, Rubens, Rafael, Velázquez, acabando por se tornar num arquivo de obras artísticas nacionais e estrangeiras.

Tornou-se um defensor do património nacional. De 1905 a 1912 publicou a colecção de monografias A Arte em Portugal. A produção editorial de Marques Abreu foi diversificada, sendo de assinalar mais de 28 títulos, de que se pode destacar o álbum de costumes Vida Rústica.

Também é de salientar a produção de zincogravuras para outros editores como o caso de Emílio Biel, na obra O Douro, de Manuel Monteiro.

Marques Abreu desde o início da sua actividade dedicou-se à gravura, sobretudo no campo da gravura química, especializando-se na zincogravura.

Este processo veio permitir a edição de publicações ilustradas com grandes tiragens, nomeadamente periódicos. Marques Abreu foi um dos pioneiros dessa técnica entre nós e o seu papel não se limitou à produção do seu atelier mas estendeu-se quer à obra de divulgação das técnicas gráficas nomeadamente através de algumas obras que tratam essas temáticas, como O Ensino das Artes Gráficas, quer como professor de gravura na Escola Industrial Infante D. Henrique, do Porto, onde exerceu funções.

Em 1955, a Escola Superior de Belas Artes do Porto dedicou-lhe uma exposição, considerada uma retrospectiva da sua obra e que também serviu como homenagem pública, bem como o álbum que para essa ocasião foi produzido.

Na Portaria de 5 de Janeiro de 1914, o Ministro Alfredo de Magalhães apresenta publicamente louvor pelos “(…) serviços que tem prestado à causa da Instrução Nacional, e pelo seu notável esforço editorial de eruditas monografias sobre arqueologia e história da Arte Portuguesa (…).”


William Henry Fox Talbot (1800-1877)

Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833)

Louis Jacques Mandé Daguerre (1789-1851)

Bibliografia

Página actualizada em 3.2013

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