Fotografia: os pioneiros

 

Arnaldo Garcez

Na I. Guerra Mundial, Arnaldo Garcez integra as tropas portuguesas, tornando-se assim num dos primeiros fotógrafos a ser repórter de guerra.

Nasceu em 1885, iniciando a sua actividade profissional com aprendiz de relojoeiro, actividade que continuou quando se mudou para Lisboa juntamente com a sua família.

Juntou algumas economias e iniciou-se na fotografia apenas como amador, mais tarde e tendo mais algumas possibilidades comprou uma “Spido Gaumont”, máquina obrigatória para quem ousasse tornar-se repórter fotográfico, passa assim a colaborar com vários jornais da época.

Limitado ao nível de instrução literária, pois apenas possuía a instrução primária, conseguiu contornar todas essas dificuldades com a enorme força de vontade de quem pretende vencer na profissão, passou buscar conhecimento através da leitura de livros essencialmente técnicos, escritos em francês, que por essa época começavam a abundar.

Por esta época começa a ganhar forma a possibilidade de Portugal vir a participar na I. Guerra Mundial e o contingente português começa a sua preparação na base de Tancos. O General Norton de Matos, então Ministro da Guerra, dá ordens para que seja feita uma reportagem fotográfica dos treinos de preparação para a guerra. É escolhido Arnaldo Garcez, uma decisão natural pois todos conheciam a sua amizade com o referido Ministro.

Por essa altura já a Censura se fazia sentir no país e já existiam ordens para que não fosse possível a publicação de qualquer fotografia sem a prévia deposição de cópia na Comissão de Censura.

A Kodak lançara já um dos seus modelos de mais sucesso, a Vest Pocket, modelo que vendeu mais 1,8 milhões de exemplares e que se torna tremendamente popular entre os militares para desespero das chefias militares.

Com a partida do contingente português para o teatro de guerra, Arnaldo Garcez integra-o, tornando-se assim num dos primeiros fotógrafos a assumir a posição de repórter de guerra. As suas imagens resumem-se a aspectos do quotidiano, nunca mostrando imagens de sofrimento do mesmo, naturalmente impedido pelos objectivos do seu trabalho e pela necessidade de não desmoralizar as populações que no país nada sabiam sobre o sofrimento dos seus parentes.

As imagens que nos chegam mostram essencialmente situações de casas destruídas, o dia-a-dia dos soldados e das senhoras da Cruz Vermelhas em actuação e as cerimónias oficias, mas mostram de forma clara a dimensão do conflito e a dimensão da nova intervenção. A dificuldade das linhas da frente, o manancial de destruição, a intervenção política nas visitas oficiais dos estadistas portugueses é objecto de pura história fotográfica de um país tantas vezes pobre nestas referências, que Garcez nos oferece no seu espólio.

O seu trabalho ganha um elevado interesse histórico uma vez que a participação portuguesa no cenário internacional de guerra é esquecido por completo na história do conflito, apenas sendo dado destaque ao envolvimento da França contra a Alemanha. Terminado o conflito Arnaldo Garcez ainda permanece na França até 1921, onde casa e se dedica a várias exposições fotográficas e outras actividades, todas elas ligadas com o grande conflito que acaba de fotografar.

Regressa depois a Portugal para em 1923 fundar a Casa Garcez, no Chiado, ao lado da Brasileira, ponto de encontro de diversos intelectuais entre os quais Gago Coutinho, sobre o qual realiza a reportagem fotográfica da primeira travessia aérea do atlântico.

A famosa nota de vinte escudos a circular em Portugal foi executada a partir de uma fotografia da sua autoria.

Joshua Benoliel - Embarque do Corpo Expedicionário Português para a Flandres,
Embarque do Corpo Expedicionário Português para a Flandres, Cais de Santa Apolónia, Lisboa. Foto: Joshua Benoliel, 1917

William Henry Fox Talbot (1800-1877)

Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833)

Louis Jacques Mandé Daguerre (1789-1851)

Bibliografia

Página actualizada em 4.2013

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