Fotografia: os pioneiros

 

Frederick W. Flower

Frederick William Flower (1815, Edimburgo – Londres 1889), um calotipista inglês, deixou-nos uma visão do Norte de Portugal em 211 calotipias, 120 provas em papel salgado e algumas albuminas deixadas por indicação da família à guarda do IPM em Portugal.

Entre as calotipias aí depositadas uma é a do Pátio do Armazém dos Queimados que mostra três pipas com a inscrição Godfrey & Co., 1853 pelo que “a menos que mais provas surjam, nunca provavelmente se saberá quando começou Frederick William a praticar com sucesso a fotografia pelo processo da calotipia.

A maior parte do que subsiste da sua obra parece ter sido executada entre 1853 e 1858, quando ele tinha entre 35 e 42 anos e antes de ter decidido transferir os seus negócios para Bristol” (Michael Grey para o catálogo da exposição Frederick William Flower Um Pioneiro da Fotografia Portuguesa, 1994.

Em Portugal um dos primeiros a percorrer o trilho da Fotografia foi Frederick William Flower, nascido em 23 de Fevereiro de 1815 na Escócia, no seio de uma família de nove irmãos, pertencente à classe emergente de comerciantes cultos.

Já com 19 anos, em 1834 viajou para o Porto para ocupar o cargo de encarregado de expedição de mercadorias da firma Smith, Woodhouse & Company. Casa em 1849 e em 1853 vê-se obrigado a deixar o seu emprego, formando uma sociedade com um amigo, John Godfrey.

Talvez este facto lhe tenha libertado o tempo suficiente para se dedicar ainda mais às imagens fotográficas. De Frederick Flower chegam-nos trabalhos desde 1848 a 1859 em contínua produção. Mas quem o terá iniciado na complicada técnica de execução de calótipos?

O legado de Frederick foi até ao inicio dos anos noventa conservado no seio da Família Flower de uma forma exemplar, passado de descendente em descendente sem nunca abandonar o país.

Em 1988 o Arquivo Nacional de Fotografia contactou pela primeira vez Katherine Mary Heath, no sentido de perceber a importância do espólio disponível de William Flower e após várias outras abordagens a referida senhora comunicou em 21 de Março de 1990 a resolução dos restantes familiares e herdeiros, favorável ao depósito e reprodução da colecção de calótipos de William Frederick Flower, uma vez que a intenção do A. N. F. era meramente cultural e histórica e nunca comercial.

Um dos parágrafos é digno de destaque e está reproduzido em obra dedicada ao fotógrafo, “Dá-nos grande satisfação que esta colecção de calótipos vá ter um merecido destaque na história da fotografia, pelo que estamos agradecidos”. Flower foi essencialmente um inovador.

Da corrente da pintura romântica podemos encontrar traços na sua abordagem ao objecto fotografado. A busca de paisagem, do património monumental, de aspectos da vida quotidiana são disso exemplo.

Mas mais profundo que isso é o gosto que podemos encontrar nele pela monumentalidade da cidade e norte do país, certamente influenciado por um claro deslumbre típico de um comerciante que chegado a uma nova cidade se deslumbra com a sua vida, com a sua imponência, com a sua localização privilegiada. A característica, que ainda agora encontramos, em alguém que chegado a uma cidade procura incessantemente registar os seus pontos mais marcantes, as igrejas, os barcos, os acontecimentos que arrastam multidões, o aglomerado citadino, a monumentalidade do seu casario.

Todas estas características encontramos na obra de Frederick Flower, reforçadas por uma constante procura do aperfeiçoamento da técnica fotográfica, como o demonstrar o teste de tiras encontrado na sua obra e único nesta época, reforçado por uma procura incessante do melhor enquadramento fotográfico e do constante jogo de linhas das suas imagens, introduzindo e assumindo a perspectiva como linha fundamental das mesmas, em que o mastro presente nunca é deixado ao acaso, dando ao primeiro plano uma importância até agora nunca assumido.

Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833)

Louis Jacques Mandé Daguerre (1789-1851)

Bibliografia

Página actualizada em 4.2013

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