Fotografia: os pioneiros

 

Louis Daguerre

A Daguerreotipia permite fixar uma imagem obtida com uma câmara sobre uma placa metálica. Tal como a heliografia de Nicéphore Niépce, a Daguerreotipia é um processo fotográfico sem imagem negativa. Mas a invenção de Daguerre revelou-se suficientemente fiável para ser comercializada.

O francês Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833) é o autor da imagem fotográfica mais antiga que conhecemos, feita em 1826 ou 1827 sobre uma placa de estanho sensibilizada com sais de prata.

Daguerreótipo: exemplos 1

Daguerreótipo: exemplos 2

Louis Jacques Mandé Daguerre (1789-1851) aperfeiçoou os passos. Em 1835 descobriu como reduzir o tempo de exposição de várias horas para cerca de meia hora e dois anos depois resolveu o problema da fixação da imagem e baptizou, então, o processo de Daguerreotipia.

Basicamente, era uma imagem positiva em chapa de cobre coberta por uma fina camada de prata polida e sensibilizada com vapores de iodo.

O processo fotográfico inventado por Daguerre em 1839 foi apresentado nesse mesmo ano por François Arago à Câmara dos Deputados e à Academia das ciências francesas

Num discurso que se tornou famoso, o cientista e político francês François Arago convenceu os seus pares da genialidade desta invenção e da necessidade de a reconhecer como sendo de “de utilidade pública”.

Divulgação dos daguerreótipos

Caindo de imediato no domínio público, a comercialização do daguerréotipo é um sucesso imediato, dando origem, em França, a uma verdadeira vaga de “daguerreotipomania”

Em 1841, ter-se-ão vendido, apenas em França, cerca de dois mil aparelhos e meio milhão de placas. Rapidamente, surgem também os primeiros estúdios fotográficos, onde se podem realizar retratos em menos de um minuto, depois de ultrapassadas algumas dificuldades técnicas iniciais (em particular um tempo de pose muito longo).

A invenção de Daguerre veio revolucionar radicalmente a prática fotográfica. Uma das práticas mais importantes associadas à daguerreotipia é, precisamente, a do retrato. Maravilhados com a precisão e a nitidez da imagem fornecida pelo daguerreótipo, os primeiros clientes dos estúdios fotográficos procuravam imortalizar a sua imagem e a dos seus próximos.

Antes que a competição entre fotógrafos e outros avanços técnicos baixassem o preço dos daguerreótipos, a grande maioria dos clientes destes estúdios pertencia à burguesia. Pouco depois da invenção do daguerreótipo, estas imagens tornaram-se num elemento essencial de qualquer interior doméstico burguês.

Estes retratos de família (incluindo muitas vezes daguerreótipos de parentes falecidos) são simultaneamente uma forma de afirmar o estatuto social e de criar uma galeria genealógica de imagens, capaz de compensar, de alguma forma, a ausência de antepassados ilustres.

Estes daguerreótipos situam-se assim numa tradição pictural particular, associada à pintura de retrato (em particular, aos retratos miniaturas).

A fotografia de viagem constitui outro domínio de aplicação do daguerreótipo. Utilizado para imortalizar paisagens e monumentos, o daguerreótipo contribui para a disseminação das imagens do mundo, estando associado às vogas do Grand Tour ou do orientalismo, por exemplo.

Vários álbuns de daguerreótipos (reproduzidos sob a forma de litografias ou águas-fortes, por exemplo) são rapidamente publicados, como as Excursions daguerrienne: vues et monuments les plus remarquables du globe de Noël Marie Paymal Lerebours (1842).

Alguns editores não hesitam em acrescentar a esta imagens figuras humanas, raramente captadas nos daguerrótipos de viagem devido ao seu longo tempo de pose. Este elemento, bem como a impossibilidade de reproduzir o daguerreótipo a partir de uma imagem negativa, explica a decadência progressiva deste processo (apesar do seu sucesso inicial em inúmeros países, como os Estados Unidos).

Os daguerreótipos são progressivamente substituídos por outros processos a partir de 1855.

O Panorama

O primeiro Daguerreótipo (a primeira fotografia) obtido em Portugal, segundo Silva de Carvalho, é o que retrata o liberal condeixense, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Rodrigo da Fonseca Magalhães e foi tirada e oferecida ao retratado por William Barclay em Outubro de 1841.

A primeira gravura publicada na Imprensa portuguesa feita a partir de uma fotografia terá surgido apenas 7 meses antes, na edição de 13 de Março de 1842 do Panorama – Jornal Literário e Instrutivo.

Em 1837, sob a chancela da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, surgiu O Panorama: jornal literário e instrutivo que se publicou aos sábados. Inicialmente dedicado às matérias graves — coisa natural na Europa culta —, incluindo a polémica política, rapidamente as trocará por uma espécie de instrução mais útil, deleitosa e acessível, tendo como público-alvo o homem comum.

Teve grande impacto em Lisboa, sendo também distribuído pela província, ilhas, Brasil, Bélgica, Espanha, França e Inglaterra. Alexandre Herculano ocupou-se da redacção deste jornal até Julho de 1839 (voltará em Janeiro de 1843), mas O Panorama contou com a colaboração de outros intelectuais da época, como António Feliciano de Castilho, Henriques Nogueira, Silvestre Pinheiro Ferreira, entre outros, e com os melhores desenhadores e gravadores nacionais.

As duas primeiras séries, as mais conhecidas, ficam disponíveis na Hemeroteca Digital hemerotecadigital.cm-lisboa.pt. Consulte-as e fique por dentro do quadro mental português da primeira metade do século XIX.

Com a divulgação cada vez maior em todo o mundo dos daguerreótipos, a expansão em Portugal teve similar impacto e sucesso comercial como por toda a Europa e América. Os daguereótipistas estrangeiros espalharam-se, faziam digressões pelo país e ofereciam os seus serviços.

No entanto, os daguerreótipos eram caros, facto que os limitou às classes sociais com maiores possibilidades económicas. O retrato de estúdio era na época dispendioso. No entanto, por volta de 1850 ocorre um enorme surto de Daguerreotipia. Só nos EUA, registam-se cerca de 3 milhoes de daguerreótipos produzidos anualmente.

Por isso a burguesia foi a grande adepta deste revolucionário instrumento de captar e registar a imagem pessoal.

Wenceslau Cifka instala, na capital portuguesa, decorria o ano de 1848, um estúdio de retrato por daguerreotipia.

A Daguerreotipia tinha um problema: gerava fotos únicas, já em positivo e sem cópias. Foi um inglês, William Henry Fox Talbot (1800-1877), quem desenvolveu o sistema de negativo e positivo, processo a que chamou Calotipia.

Daguerreótipo: exemplos 1

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Página actualizada em 4.2013

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