Fotografia: os pioneiros

 

Wenceslau Cifka (1811-1883)

Cifka instalou, na capital portuguesa, em 1848, um estúdio de retrato por Daguerreotipia. Cifka foi desenhador, pintor, ceramista, litógrafo, esmaltador e professor em casas de famílias nobres, tendo coleccionado desenhos de diversos artistas (colecção conhecida por "Album Cifka").

Cifka terá chegado a Portugal por ocasião do casamento de Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha com a rainha Maria II, como uma espécie de conselheiro de Arte, devido aos seus conhecimentos de Arqueologia e obras de arte, tendo adquirido colecções para a galeria do rei.

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Wenceslau Cifka, daguerreótipo, Château de Sintra, Portugal, 1848. Colecção Nacional de Fotografia © Centro Português de Fotografia

Dedicou-se a diversas actividades artísticas, sendo a primeira como fotógrafo, tendo sido um dos pioneiros em Portugal. Abriu em Lisboa um dos primeiros estúdios fotográficos.

Embora ainda utilizasse o Daguerreótipo foi utilizando novas técnicas, tendo ido aperfeiçoar-se a Paris. Efectuou diversas exposições de Fotografia e, algum tempo depois, tornou-se fotógrafo da Casa Real.

Após uma viagem pela Europa, juntamente com o rei, ambos reforçaram o seu gosto pela cerâmica. Cifka passou a dedicar-se à faiança artística e influenciou o rei, que também experimentou esta arte.

Cifka cozeu a maior parte das suas peças na Companhia Fabril de Louça, às Janelas Verdes (depois Companhia Constância), mas não interferiu na produção da mesma.

Efectuava peças a seu gosto, sem utilidade prática, preocupando-se especialmente com a forma. Sem formação como ceramista, não primou pela originalidade, tendo sido influenciado por diversos estilos, que misturou, e copiado a majólica italiana renascentista, usando o "istoriato" e o "grotesco", este último bastante apreciado em Portugal.

Utilizou a gravura na cerâmica, possuindo uma das maiores colecções oitocentistas de gravura do País. Apreciador de Rafael, utilizou-o como modelo em vários pratos. Além de pratos produziu jarros, gomis, urnas e taças, com concepção e decoração renascentista, algumas vezes relevada, utilizando outras influências, como de Wedgwood, Palissy ou da porcelana chinesa.

Cifka passou a utilizar muito formas de animais nas suas peças (perús, cisnes, galos, patos, peixes, tartarugas, entre outros) mas, de entre as diversas obras trabalhadas por este ceramista, são os violinos em faiança que mais têm suscitado a curiosidade dos coleccionadores.

São atribuídos a este artista dois tipos de azulejo de figura avulsa e relevados, existentes no Palácio Nacional da Pena, produtos de uma encomenda exclusiva. Fernando II, seu amigo e protector, adquiriu a maior parte das suas obras e foi representado em muitas delas (tanto em Fotografia como em peças de cerâmica).

Este artista também vendeu peças em exposições nacionais e internacionais.

Bibliografia

Página actualizada em 4.2013

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