Fotografia: os pioneiros

 

A agência Charles Chusseau-Flaviens

O fotógrafo francês Charles Chusseau-Flaviens trabalhou entre 1890 e 1910. Olhando para o espólio que está na George Eastman House, concluimos que se trata de uma das primeiras agências fotográficas. Percorreu a maioria dos países da Europa.

A primeira "press photography agency" foi estabelecida no fim do século XIX, por Charles Chusseau-Flaviens em 46, Rue Bayen, Paris. A colecçao integra inúmeras fotos dos Royals europeus e das forcas militares, entre 1900 e 1920. As imagens foram captadas por vários fotógrafos, incluindo Bonfil.

11,000 negativos de vidro estão na George Eastman House (USA), 4,500 no Musee Niépce (França, www.museeniepce.com) e 22 autochromes no Musée d’Orsay (França).

Na George Eastman House estão muitos vidros da Bulgária, Roménia e Espanha. Chapas sobre Portugal: cerca de 900 negativos em vidro. A sua diversidade contempla a cidade do Porto, onde podemos ver o desembarcar do bacalhau na Ribeira.

...E Cascais com as suas praias de pescadores; Mafra, Tomar e Sintra com os seus monumentos; Cacilhas, Coimbra, as pessoas, os estudantes e as tricanas, a Universidade e o choupal.

Pouca sensibilidade mostra Chusseau-Flaviens quando regista (ou manda registar) os tipos sociais, os costumes, os vendedores ambulantes: de azeite, de carvão, de leite, de legumes, de aves, de peixe, de ostras, de pão, de perus, de alhos e cebolas, os aguadeiros, os varredores de rua, as lavadeiras, os calceteiros e a calçada portuguesa, os trolhas e os galegos nas mudanças. Estes inventários já faziam parte dos reportórios standard de todos os fotografos da época. Assim fotografava Emílio Biel, assim fotografava Carlos Relvas. Os mesmos mendigos, pedintes e trabalhadores fotografou-os Charles Chusseau-Flaviens em Londres e noutros sítios. Em Espanha fotografou touros e toureiros, etc. Sao imagens-padrao.

A colecção conta ainda com uma fotografia da rainha Amélia, muito nova, por volta de 1872, seguramente adquirida ou oferecida ao fotógrafo.

Fotografou o Exército português: a cavalaria, a infantaria, a artilharia nos quartéis e em manobras. Fotografou a marinha, os marinheiros e os seus barcos: o Douro, o Vasco da Gama, o Almirante Reis, o Tejo, o D. Amélia e o Dom Luís. Fotografou exércitos e militares de muitos outros países...

Fez um grande número de fotografias da família real portuguesa, Carlos, Amélia, Afonso e Manuel II. Em alguns dos negativos em actos oficiais mas, noutros negativos em situações menos formais ou pousando desportivamente para a câmara. Manuel II simulando esgrima ou com uma raquete de ténis na varanda do Palácio da Pena.

Fotografou royals de muitos outros países...

Os primeiros republicanos, da carbonária como António Maria da Silva até ao primeiro Presidente da República, Manuel de Arriaga na varanda do Palácio de Belém.

A colecção também integra retratos de António José d’Almeida, João Chagas, Magalhães Lima, Braamcamp Freire, Afonso Costa, A. de Azevedo Vasconcelos, Teófilo Braga e o Patriarca de Lisboa António Mendes Belo.

Apesar de algumas das fotografias terem sido adquiridas a fotógrafos e estúdios fotográficos portugueses como à Foto Vasques, não é de excluir que Chusseau–Flaviens tenha estado em Portugal pelo menos até 1910.

Viajava muito e tinha acesso a várias famílias reais europeias. Tinha facilidade em fotografar quartéis e militares em exercício assim como o respectivo armamento, o que fez em vários países da Europa. Fotografava com muita frequência, cenas do quotidiano e fazia levantamentos etnográficos.

Chusseau-Flaviens, Ch. (active 1890s-1910s) Portugal cavalerie ca. 1900-1919 negative, gelatin on glass 11 x 15 cm Gift of Kodak Pathe

Os Roma (ciganos) na Roménia, negativos de alguma raridade e algumas vivências na Argélia, Marrocos e na Turquia, onde também adquiriu originais a Sebah & Joailler, importante firma estabelecida em Constantinopla.

Da colecção, uma das maiores da George Eastman House, fazem parte mais de 11.000 negativos em vidro. O conjunto foi entregue à Casa George Eastman pela Kodak Pathé em 1974. É provável que seja apenas parte da sua produção como fotógrafo isto porque, se atentarmos ao número de chapas em vidro feitas em França, uma insignificância, por exemplo da Exposição Universal de 1900 em Paris apenas se conhecem 2 chapas, leva-nos a suspeitar que a colecção na posse da George Eastman House não representa todo o seu trabalho.

Chusseau-Flaviens adquiria trabalhos de outros fotógrafos e produzia a bordo uma cópia. Ele incluía frequentemente o nome do fotógrafo na anotação em francês ao longo da borda do negativo em vidro. Assim se explicam os negativos da Nova Zelândia, Japão, Abissínia na Etiópia e outros países para onde Chusseau-Flaviens não pode ter viajado em pessoa.

Bibliografia

Countries Represented in Chusseau Flaviens Collection: www.geh.org/fm/chusseau-flaviens/htmlsrc/countries.html

Collection photographique de Charles Chusseau-Flaviens http://www.numerique.culture.fr/

No flickr.com também encontra várias fotos da agencia Chusseau-Flaviens.

Thierry Gervais. L’Illustration photographique: http://issuu.com/lhivic/docs/l-illustration-photographique

Página actualizada em 4.2013

Among the larger collections at George Eastman House are nearly 11,000 glass negatives by Chusseau-Flaviens. The collection was received in the 1970s from Kodak Pathé. Little is known about Chusseau-Flaviens beyond what we can deduce from this substantial body of work itself.

Chusseau-Flaviens' by-line has been sited along-side illustrations in French, German, and Belgian newspapers of the 1910s era. He seems to have been an early free-lance photojournalist able to travel and gain access to various European royalty, armies, and political rallies. Since those images credited to Chusseau-Flaviens in period publications do not match negatives at GEH, it is clear that the GEH holdings do not represent his entire production.

Holdings at GEH include work from England, Romania, Turkey, Egypt, Spain, Germany, Norway, and Russia, among others. Chusseau-Flaviens acquired work by other photographers which he pinned to a copy board and annotated for retrieval in the same style used on his own original negatives. He often includes the name of the photographer in the annotations in French along the edge of the glass negative. In this manner, his offerings also included New Zealand, Japan and other areas to which he may not have travelled in person.

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